A medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Londres-2012 marcou o fim de um ciclo na Seleção Brasileira masculina de vôlei. A equipe chegou ao Brasil na manhã desta quinta-feira e dois de seus maiores símbolos nos últimos anos, o líbero Serginho e o ponta Giba, confirmaram que não jogam mais pelo time nacional.
Sob o comando do técnico Bernardinho, ambos têm no currículo a medalha de ouro das Olimpíadas de Atenas-2004 e as pratas em Pequim-2008 e Londres-2012, além de dois títulos da Copa do Mundo. O defensor venceu duas vezes também o Campeonato Mundial, uma a menos do que o ponta.
“Eu jamais vou negar uma convocação, mas prefiro que não me convoquem. Só se for em caso de extrema urgência”, brincou Serginho. “Meus serviços à Seleção foram prestados da melhor maneira possível, mas a minha história está acabando. Vai bater aquela tristeza, mas agora é torcer por aqueles que vão ficar”, completou o jogador, de 36 anos de idade.
Giba havia anunciado ainda em Londres que deixaria o time nacional, abrindo espaço para que uma nova geração de atletas comece a ser preparada para os Jogos do Rio de Janeiro-2016. Dos veteranos da Seleção, o central Rodrigão e o levantador Ricardinho também não devem voltar a ser convocados.
Tanto Giba como Serginho admitiram que questões pessoais pesaram na decisão de deixar a equipe brasileira. Nas últimas temporadas, eles dividiram a vida entre a rotina de treinos e jogos de seus clubes e as viagens com a Seleção, sobrando pouco tempo para passar com a família. “Estou triste, claro, porque estou aqui desde os 16 anos, mas feliz por começar uma nova fase da minha vida. Minha filha me ligou hoje às 7h da manhã, nunca vi ela acordar a essa hora. Então é melhor voltar para casa antes que ela comece a me chamar de tio”, disse Giba, que na próxima temporada atuará no Drean Bolívar, na Argentina.
Já Serginho, que segue como jogador do Sesi para a disputa da próxima edição da Superliga, acredita que fora da Seleção terá tempo para “viver”, como ele mesmo definiu. Poucas horas depois de chegar ao Brasil e confirmar que não joga mais pelo time nacional, ele já sabia qual seria seu primeiro programa.
“Eu vou jogar bola. Está marcado já, hoje à noite. Ah, moleque!”, disse o defensor. “Meu tempo na Seleção acabou, agora é só contar a história para a molecada e viver um pouco. Quero chegar em casa, dar banho no cachorro, essas coisas que a gente não consegue fazer”.
Apesar de já terem definido que não atuam mais pela Seleção, Serginho e Giba não sabem por mais quanto tempo jogarão como profissionais. O líbero não tem planos, mas quer continuar "até as costas aguentarem". Já o ponta tem dois anos de contrato com o clube da Argentina e admite que pode parar após cumprir o acordo.
"Tenho mais dois anos na Argentina, estou indo com a família inteira para lá. Teoricamente é isso, depois não sei se continuo a jogar, ou não. Não dá muito tempo de planejar isso, vamos ver agora", explicou.
